Quando decidi abrir a minha primeira clínica, já tinha trabalhado para outras pessoas.
Estava relativamente bem. Tinha trabalho, estabilidade e uma profissão de que gostava.
Mas havia qualquer coisa que me faltava.
Queria fazer as coisas à minha maneira. Queria oferecer uma experiência diferente. E, acima de tudo, queria mostrar que não era preciso sair do Alentejo para ter acesso a cuidados de saúde de qualidade.
Uma casa, poucas poupanças e muito para aprender
O problema é que a vontade era grande, mas a conta bancária não acompanhava.
Tinha acabado de comprar casa, não dispunha de grandes poupanças e sabia muito pouco sobre aquilo que significava gerir uma empresa.
Ou melhor, achava que sabia algumas coisas.
E há uma lição de gestão que nunca mais esqueci:
O que se acha não se sabe.
Livros, emails e muitas folhas de Excel
Por isso, comecei a estudar.
Li livros de gestão. Enviei emails. Fiz perguntas. Construí folhas de Excel. Fiz contas, voltei a fazê-las, desenhei cenários e elaborei análises SWOT.
Algumas fi-las à mão, com marcadores coloridos, em folhas espalhadas por uma mesa. Forças, fraquezas, oportunidades, ameaças, metas, objetivos. E duas folhas que não vêm em nenhum manual: «Porque abrir?» e «Porque não abrir?».


Pedi um empréstimo.
A decisão
Tinha medo. Muito.


Mas havia uma ideia que não me saía da cabeça: se acreditava tanto numa forma diferente de prestar cuidados, tinha de tentar construí-la.
Uma clínica feita por muitas mãos
A minha família foi fundamental. Ajudou a pintar o espaço, a construir o balcão de atendimento e a transformar uma ideia num lugar onde, finalmente, podíamos receber pessoas.
O balcão construí-o eu, com o meu pai. A minha irmã, a Sara, pintou à mão o logótipo na parede da receção. Eu descobri o meu lado de «bricolage guy».



E os meus melhores amigos, quase todos dentistas, vieram apoiar-me.

O que nenhuma folha de Excel antecipa
Depois vieram os desafios que nenhuma folha de Excel consegue antecipar completamente: gerir dinheiro, pessoas, pacientes, fornecedores e todas as decisões que aparecem quando somos responsáveis por um negócio.
Não sabia se ia resultar.
Mas também não estava disposto a desistir antes de tentar tudo o que estivesse ao meu alcance.
Foi assim que começou a É-DU-DENTE.

Abrimos a porta a 23 de janeiro de 2017, na Longueira, no concelho de Odemira. Em 2024, o Município de Odemira atribuiu-me o Prémio Espírito Empreendedor. Hoje a É-DU-DENTE está na Boavista dos Pinheiros. Mas essa já é outra história.

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